Primeiro Lugar em Concurso Público Nacional de Arquitetura – 2025

“O território é o chão e mais a população, isto é, uma identidade, o fato e o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence.”
(Milton Santos. Por uma outra globalização.)
Propõem-se, para o território de Rubem Berta, transformações da Arquitetura e da Paisagem que expressem o diálogo entre os sistemas de objetos e de ações da comunidade; entre os fixos e os fluxos, entre o espaço e a cultura. Arquitetura e Paisagem como expressões éticas, técnicas e estéticas das dinâmicas que definem a identidade do lugar.
O território de Rubem Berta expressa sua identidade por meio de um sistema de ações que estão associadas principalmente à forte presença da cultura negra e aos movimentos de resistência da comunidade. As COHABs são a principal expressão urbana do território Rubem Berta. Diversos movimentos e atividades evidenciam tal identidade, como o “Festival COHAB é só Rap” e o “Colorindo a COHAB”. O resultado é que a paisagem do território tem se transformado, nos últimos anos, com murais em grande escala, com a participação de diversos artistas da cidade. Propõe-se que, para além dos limites de cada terreno, as melhorias urbanas e paisagísticas no território incentivem e acolham a cultura da Arte Urbana, como expressão de identidade e resistência.
Propõe-se utilizar soluções baseadas na natureza como recursos para a gestão sustentável das águas pluviais: criação de patamares de amortecimento; jardins de chuva e arborização com espécies nativas que contribuem para o sistema de drenagem natural. Os patamares com jardins de chuva, para o amortecimento das águas pluviais, os percursos sinuosos e acessíveis, que acompanham as curvas naturais da topografia e a ativação das esquinas permitem a criação de um repertório diversificado de espaços para a apropriação comunitária.
Uma premissa importante do projeto é que as intervenções e melhorias dos espaços públicos irradiem ao longo das vias circundantes: calçadas, arborização, ciclovias, faixas de travessia e mobiliário urbano. O objetivo é tornar o caminho da escola um percurso mais digno, seguro, acessível e acolhedor, para as crianças e as famílias do território. As intervenções propostas partem do reconhecimento das preexistências, em especial a condição da topografia, a arborização de grande porte já existente e as atividades praticadas em cada local. A partir daí os espaços são requalificados e novos equipamentos são propostos, como é o caso dos espaços de brincar, elementos essenciais para a vitalidade dos espaços públicos. As soluções propostas para o território partem do princípio que cidades acessíveis, seguras e acolhedoras para crianças são cidades boas para todos. Os espaços de brincar, portanto, são ativadores potenciais da vida em comunidade, pois incentivam a permanência das famílias no espaço público.










































Ficha Técnica
Coletivo de Projetos
Arquitetos Autores e Responsáveis Técnicos:
Fabiano Sobreira e Paulo Ribeiro
Colaboradores – Etapa Concurso: Arquitetos: Lucas Sousa, Maria Schulz. Estudantes: Anna Montandon, Bernardo Lopes, Carolina Martins, Cecília Fonseca, Lara Magalhães.
